{"id":52,"date":"2015-02-07T18:13:16","date_gmt":"2015-02-07T18:13:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/?p=52"},"modified":"2015-02-10T03:15:29","modified_gmt":"2015-02-10T03:15:29","slug":"filme-noir","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/filme-noir\/","title":{"rendered":"Filme Noir"},"content":{"rendered":"<p><strong><div class=\"jq-tabs tabs_wrapper tabs_\"><ul><li><a href=\"#tab-69f4af45877a5-1\">Sinopse<\/a><\/li><li><a href=\"#tab-69f4af45877a5-2\">Textos<\/a><\/li><li><a href=\"#tab-69f4af45877a5-3\">Cr\u00edticas<\/a><\/li><li><a href=\"#tab-69f4af45877a5-4\">Ficha t\u00e9cnica<\/a><\/li><li><a href=\"#tab-69f4af45877a5-5\">Condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas<\/a><\/li><\/ul><div id=\"tab-69f4af45877a5-1\"><\/strong><\/p>\n<p><strong>ESTREIA:<\/strong>\u00a0AGOSTO DE 2004<\/p>\n<p><strong>LOCAL:<\/strong>\u00a0MEZANINO DO ESPA\u00c7O C, RIO DE JANEIRO<\/p>\n<p><strong>ELENCO ORIGINAL:<\/strong>\u00a0LILIANE XAVIER, MARCOS NICOLAIEWSKY, MARISE NOGUEIRA, M\u00c1RCIO NASCIMENTO, M\u00c1RCIO NEWLANDS<\/p>\n<p><strong>PR\u00caMIOS E INDICA\u00c7\u00d5ES:<\/strong>\u00a0PR\u00caMIO SHELL DE TEATRO (CATEGORIA MELHOR ILUMINA\u00c7\u00c3O)<br \/>\nPREMIO SHELL DE TEATRO (CATEGORIA ESPECIAL)<\/p>\n<p>Filme Noir adapta para o teatro de bonecos o estilo genuinamente cinematogr\u00e1fico que lhe d\u00e1 nome. Est\u00e3o l\u00e1 a mulher fatal, o detetive dur\u00e3o, a atmosfera de desilus\u00e3o, a voz em off do narrador, os flashbacks e tudo mais. Para reproduzir a fotografia desse tipo de filme, apenas tr\u00eas cores s\u00e3o usadas em cena: preto, branco e cinza. A hist\u00f3ria gira em torno de Ver\u00f4nica De Vitta, cantora de um clube de jazz que \u00e9 suspeita de assassinato e acha que est\u00e1 sendo seguida. Ela contrata um detetive particular fracassado, com quem acaba se envolvendo. Ele tamb\u00e9m se sente perseguido, mas s\u00f3 descobrir\u00e1 o que h\u00e1 por tr\u00e1s disso tudo no final.<\/p>\n<p><strong><\/div><div id=\"tab-69f4af45877a5-2\"><\/strong><\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio de sua trajet\u00f3ria, h\u00e1 cinco anos, a Cia. Pequod vem procurando testar os limites de uma t\u00e9cnica espec\u00edfica do Teatro de Anima\u00e7\u00e3o: a manipula\u00e7\u00e3o direta. Neste infind\u00e1vel trabalho de pesquisa, a aproxima\u00e7\u00e3o com a linguagem cinematogr\u00e1fica sempre foi marcante, o que renovou de forma surpreendente esta modalidade teatral, sempre t\u00e3o subestimada por preconceitos e rotula\u00e7\u00f5es. Foi assim com os espet\u00e1culos Sangue Bom (1999), Noite Feliz \u2013 Um Auto de Natal (2001) e O Velho da Horta (2002). E agora o grupo procura se superar em ousadia com Filme Noir.<\/p>\n<p>O novo trabalho da Cia. Pequod \u00e9 sua investida mais descaradamente inspirada no cinema. Filme Noir adapta para o Teatro de Bonecos o g\u00eanero genuinamente cinematogr\u00e1fico que lhe d\u00e1 nome, experimentando todas as suas possibilidades no palco. Est\u00e3o l\u00e1 a mulher fatal, o detetive dur\u00e3o, a atmosfera de desilus\u00e3o, a voz em off do narrador, os flashbacks e tantos outros elementos que caracterizam o cinema noir. Mas nada disso faria sentido se a montagem n\u00e3o fosse inteiramente em preto-e-branco, desafio que exigiu um longo estudo de figurino, cenografia e ilumina\u00e7\u00e3o. Foi preciso at\u00e9 eliminar o amarelado natural do filamento das l\u00e2mpadas. A dire\u00e7\u00e3o, por sua vez, teve tarefas complexas como reproduzir no teatro o efeito dos enquadramentos e movimentos de c\u00e2mera observados no cinema. N\u00e3o foram medidos esfor\u00e7os para a cria\u00e7\u00e3o do visual mais adequado a uma trama policial ambientada nos anos 40, cheia de manipuladores e manipulados, cujo tema \u00e9, na verdade, a arte de trabalhar com bonecos no teatro.<\/p>\n<p>Filme Noir \u00e9 o primeiro espet\u00e1culo da Cia. Pequod a ter sido constru\u00eddo aos olhos do p\u00fablico. Aprovado pelo Fundo de Apoio ao Teatro (FATE) em novembro de 2003, o projeto participou do evento Porto dos Palcos no m\u00eas de janeiro de 2004, quando todo o seu levantamento te\u00f3rico e o esbo\u00e7o de algumas cenas foram apresentados \u00e0 plat\u00e9ia carioca. Logo em seguida, um estudo c\u00eanico posterior da pe\u00e7a viajou pelo Brasil, enquanto a companhia participava do Palco Girat\u00f3rio, realizado pelo SESC, com o espet\u00e1culo O Velho da Horta. Fechando o ciclo de ensaios, o estudo foi finalizado em outro projeto do SESC, as Quartas C\u00eanicas, no Rio de Janeiro. Em todas estas oportunidades, o contato com os espectadores foi fundamental para o desenvolvimento do trabalho, o que reafirma a import\u00e2ncia de iniciativas e incentivos como estes.<\/p>\n<p>S\u00e3o o reconhecimento e o respeito do p\u00fablico que fortalecem a id\u00e9ia de que \u00e9 preciso arriscar sempre. E embora a inspira\u00e7\u00e3o de Filme Noir venha do cinema, do jazz, dos quadrinhos de Will Eisner e das fotos de Weegee, a Cia. Pequod faz Teatro acima de tudo. Bom espet\u00e1culo!<\/p>\n<p>Miguel Vellinho, do programa do espet\u00e1culo<\/p>\n<p><strong><\/div><div id=\"tab-69f4af45877a5-3\"><\/strong><\/p>\n<p>Cr\u00edtica do espet\u00e1culo FILME NOIR<br \/>\nJORNAL DO BRASIL<br \/>\nCaderno B<br \/>\n30 de agosto de 2004.<\/p>\n<p>Humor, t\u00e9cnica e mist\u00e9rio<br \/>\npor Macksen Luiz<\/p>\n<p>&#8216;Filme noir&#8217; demonstra possibilidades do teatro de bonecos como linguagem.<\/p>\n<p>Montagem da Cia. Pequod, Filme noir consolida esse grupo de teatro de anima\u00e7\u00e3o na sua trajet\u00f3ria de cinco anos. A encena\u00e7\u00e3o com bonecos com um estilo cinematogr\u00e1fico &#8211; aquele g\u00eanero de filmes em que o mist\u00e9rio se confunde com clich\u00eas e ganchos narrativos em torno de assassinatos e crimes variados &#8211; demonstra as possibilidades de forma expressiva associada, quase exclusivamente, ao p\u00fablico infantil.<\/p>\n<p>O que a montagem prop\u00f5e \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o de um g\u00eanero de cinema como elemento dramat\u00fargico, isto \u00e9, a reprodu\u00e7\u00e3o estil\u00edstica de seus elementos mais vis\u00edveis para brincar com suas f\u00f3rmulas. H\u00e1 ainda forte influ\u00eancia dos quadrinhos e do humor mais ing\u00eanuo, que oferece contraponto algo cr\u00edtico \u00e0s conven\u00e7\u00f5es dos filmes noir, al\u00e9m de se utilizar de metaliguagem do pr\u00f3prio teatro de bonecos para se arrematar a trama.<\/p>\n<p>O roteiro de Miguel Vellinho transita por todas essas inst\u00e2ncias narrativas, buscando n\u00e3o apenas recontar hist\u00f3rias, mas tamb\u00e9m destacar o que h\u00e1 de peculiar nesses quadros de sombras, closes e trilha sonora imperativa. A seq\u00fc\u00eancia dos acontecimentos, com suas vers\u00f5es e pistas desencontradas, \u00e0s vezes parece carregada demais para as limita\u00e7\u00f5es do formato miniaturizado dos &#8221;atores&#8221;.<\/p>\n<p>Os desdobramentos do roteiro se interligam pelo tratamento cinematogr\u00e1fico dos cortes, mas h\u00e1 mais entrecho do que a montagem consegue acomodar. O que provoca uma relativa queda de interesse e se reflete na din\u00e2mica c\u00eanica. Mas o golpe de teatro no final resolve todos os mist\u00e9rios e confere a Filme noir um desfecho que n\u00e3o elimina a aura do g\u00eanero e valoriza o boneco como linguagem.<\/p>\n<p>O diretor Miguel Vellinho concebeu as cenas em pratic\u00e1veis m\u00f3veis, pequenos palcos sobre rodas, onde transcorrem os quadros, que se movimentam num entra-e-sai em ritmo desacelerado. Dessa forma, permitem-se quebras e cortes, planos em perspectiva que acompanham as caminhadas, o abrir-e-fechar de portas ou a fixa\u00e7\u00e3o de detalhes, como a coreografia de m\u00e3os.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio e os adere\u00e7os de Carlos Alberto Nunes mant\u00eam as cores preta, branca e cinza como refer\u00eancias \u00e0 tonalidade dos filmes inspiradores e se distribuem por esses pequenos palcos, simulacros ora de telas, ora de quadrinhos, e pela oficina de bonecos, o \u00fanico quadro que admite outras cores. Os figurinos dos bonecos s\u00e3o perfeitos e a ilumina\u00e7\u00e3o de Renato Machado tem a sensibilidade de fechar com clima dram\u00e1tico cada cena, apenas se mostrando menos eficiente nas sombras.<\/p>\n<p>Os manipuladores &#8211; Mariane Gutierrez, Liliane Xavier, Maria Rego Barros, M\u00e1rcio Nascimento e M\u00e1rcio Newlands &#8211; se paramentam diante da plat\u00e9ia, no in\u00edcio do espet\u00e1culo, e se transformam em silhuetas que se tornam magicamente ausentes &#8211; e essa \u00e9 a qualidade da boa manipula\u00e7\u00e3o. Os bonecos ganham vida pr\u00f3pria, respiram em cena, interpretam na sua restrita escala de movimentos.<\/p>\n<p>Como a hist\u00f3ria \u00e9 narrada, os manipuladores somente emitem alguns sons &#8211; respira\u00e7\u00e3o, muxoxos -, nem sempre muito variados e um tanto exagerados. A sua t\u00e9cnica, no entanto, se manifesta em v\u00e1rios momentos, como nas tr\u00eas vers\u00f5es do n\u00famero da cantora e quando o boneco percebe que est\u00e1 sendo manipulado.<\/p>\n<p>A confec\u00e7\u00e3o dos bonecos, por Maria Rego Barros, M\u00e1rcio Newlands e Miguel Vellinho, reproduz nos rostos bem talhados e em brincadeiras bem achadas &#8211; os bra\u00e7os m\u00faltiplos e o pesco\u00e7o de mola &#8211; o melhor desenho deste Filme noir, um jogo narrativo articulado com bom humor e simp\u00e1ticos &#8221;int\u00e9rpretes&#8221;.<br \/>\nCr\u00edtica do espet\u00e1culo FILME NOIR<br \/>\nTRIBUNA DA IMPRENSA<br \/>\nCaderno Bis<br \/>\n2 de novembro de 2004.<\/p>\n<p>Bonecos protagonizam suspense<br \/>\npor Lionel Fischer<\/p>\n<p>Criada em 1999, a Cia. PeQuod, especializada em Teatro de Bonecos, j\u00e1 levou \u00e0 cena &#8220;Sangue bom&#8221;, &#8220;Noite feliz &#8211; Um Auto de Natal&#8221; e &#8220;O velho da horta&#8221;. Agora, o grupo chega \u00e0 sua quarta produ\u00e7\u00e3o, &#8220;Filme noir&#8221;, em cartaz no Teatro Gl\u00e1ucio Gill. Miguel Vellinho assina o roteiro e a dire\u00e7\u00e3o, estando o elenco de atores-manipuladores formado por Mariane Gutierrez, Liliane Xavier, Maria Rego Barros, M\u00e1rcio Nascimento e M\u00e1rcio Newlands.<\/p>\n<p>&#8220;Filme noir&#8221; tem um enredo que poderia ter motivado um daqueles filmes criminais norte-americanos, sombrios e expressionistas, que tanto sucesso fizeram entre os anos 40 e 60. Veronika de Vitta, uma cantora de jazz, procura o fracassado detetive Race, alegando estar sendo perseguida.<\/p>\n<p>Durante a investiga\u00e7\u00e3o, Race chega \u00e0 conclus\u00e3o de que tamb\u00e9m est\u00e1 sendo perseguido, ainda que por raz\u00f5es obscuras. Um crime motiva a trama, o assassinato de Amadeo Pino, dono do Perdid&#8217;os, cabar\u00e9 onde Veronika se exibe. Ela \u00e9 uma das suspeitas, assim como o irm\u00e3o do falecido, Guido Pino, o barman etc.<\/p>\n<p>Mas ainda que o enredo nada tenha de original, a originalidade se faz presente em quase todas as solu\u00e7\u00f5es encontradas pela dire\u00e7\u00e3o para materializar a narrativa. Algumas, por sinal, muito divertidas, como as passagens em que Veronika canta &#8211; s\u00f3 achamos que elas poderiam ser em menor n\u00famero, pois com as repeti\u00e7\u00f5es a inventiva coreografia vai perdendo o impacto. Tamb\u00e9m julgamos um tanto excessivas as idas e vindas no tempo, pois isto implica em altera\u00e7\u00f5es cenogr\u00e1ficas que ralentam um pouco o desenrolar da trama.<\/p>\n<p>De qualquer forma, &#8220;Filme noir&#8221; \u00e9 uma experi\u00eancia muito bem-sucedida, que merece ser prestigiada de forma incondicional pelo p\u00fablico, e cujo sucesso deve ser compartilhado entre todos os profissionais que dela participam. A come\u00e7ar pelo elenco, irrepreens\u00edvel tanto em termos interpretativos como no tocante \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o dos bonecos. E a mesma efici\u00eancia se faz presente no trabalho da equipe t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Carlos Alberto Nunes responde por cen\u00e1rio e adere\u00e7os maravilhosos, fundamentais para o estabelecimento dos m\u00faltiplos climas propostos. Tamb\u00e9m s\u00e3o impec\u00e1veis os figurinos dos atores e dos bonecos criados por Kika de Medina, cabendo ainda destacar a excelente trilha sonora de Maur\u00edcio Dur\u00e3o, a sombria ilumina\u00e7\u00e3o de Renato Machado, as divertidas coreografias de Claudia Radusewski e a locu\u00e7\u00e3o de Renato Peres. Sem esquecer, naturalmente, os criadores dos expressivos bonecos: Maria Rego Barros, M\u00e1rcio Newlands e Miguel Vellinho.<\/p>\n<p>Cr\u00edtica do espet\u00e1culo FILME NOIR<br \/>\nCARTA MAIOR (on line)<\/p>\n<p>Exerc\u00edcios de intersec\u00e7\u00e3o<br \/>\npor Vany Paiva<\/p>\n<p>Funcionando como exemplar exerc\u00edcio de estilo, o espet\u00e1culo Filme Noir tem como grande m\u00e9rito o abuso da criatividade visual em prol da aproxima\u00e7\u00e3o entre cl\u00e1ssico e pop.<\/p>\n<p>O assunto da moda entre intelectuais, artistas e suplementos culturais diz respeito \u00e0s misturas. Misturas nas artes, nos conceitos, nos g\u00eaneros. Aglutina\u00e7\u00f5es consentidas entre estilos, linguagens e texturas ganham status de condi\u00e7\u00e3o primeira para a cria\u00e7\u00e3o. A palavra multiplicidade torna-se, al\u00e9m do senso comum, um tipo de comportamento que permite adapta\u00e7\u00f5es e incorpora\u00e7\u00f5es de toda ordem no \u00e2mbito das artes. Para Arnaldo Antunes, somos Tribalistas; para Caetano, somos Tropicalistas; Marinetti decretou-nos Futuristas, enquanto Oswald batizou-nos de Antropof\u00e1gicos.Separados somente talvez pelo tempo, todos t\u00eam em comum a no\u00e7\u00e3o de mistura de refer\u00eancias como elemento fundamental para a maturidade do pensamento contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Seguindo esta mesma linha conceitual que costura a miscel\u00e2nea entre id\u00e9ias e modos de fazer, a Cia Pequod de Teatro de Anima\u00e7\u00e3o apresenta o espet\u00e1culo Filme Noir, em cartaz no Espa\u00e7o SESC (RJ) at\u00e9 05 de setembro[2004]. O t\u00edtulo da pe\u00e7a j\u00e1 d\u00e1 pistas da tentativa de integra\u00e7\u00e3o entre estilos distintos num s\u00f3 canal. Nesta interse\u00e7\u00e3o de linguagens, a primeira fus\u00e3o surge na concep\u00e7\u00e3o original de um teatro de bonecos para adultos, resultando na curiosa express\u00e3o \u201cteatro de anima\u00e7\u00e3o\u201d. A segunda, parte da integra\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica e formal entre artes outrora estanques: cinema e teatro.<\/p>\n<p>Em Filme Noir, o diretor Miguel Vellinho conta a hist\u00f3ria do fracassado detetive Race que se depara com uma cliente que jura estar sendo perseguida. Ela \u00e9 Veronika de Vitta, cantora de um clube de jazz e uma boneca muito sexy. Durante a investiga\u00e7\u00e3o, Race conclui que tamb\u00e9m est\u00e1 sendo perseguido. Tudo seria absolutamente banal sen\u00e3o tivesse como principal inspira\u00e7\u00e3o est\u00e9tica o cinema noir.<\/p>\n<p>Criada pelos cr\u00edticos de cinema franceses para destacar certas particularidades tem\u00e1ticas e visuais, a express\u00e3o noir sintetiza um visual expressionista, carregado em luz e sombra, preto e branco. Nos roteiros h\u00e1 sempre um clima de corrup\u00e7\u00e3o, desconfian\u00e7a e ansiedade. Detetives particulares, policiais, assassinos, mulheres fatais, lindas e perigosas, integram o quadro de personagens. Flashbacks e voice-over surgem como recursos narrativos que conduzem a trama. Nas palavras de Charles Highan e Joel Greenberg no livro Hollywood in the fourties, o cinema noir mostrava \u201cum mundo de trevas e viol\u00eancia e sobretudo sombra, sobre sombra, sobre sombra&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Reprodu\u00e7\u00e3o de movimentos de c\u00e2mera e ilumina\u00e7\u00e3o em preto-e-branco refor\u00e7am a sensa\u00e7\u00e3o de filme no palco.<\/p>\n<p>Antes determinando um certo estilo cinematogr\u00e1fico, tais elementos s\u00e3o, agora, tornados por empr\u00e9stimo para recriar a cena teatral de Vellinho. No entanto, ao contr\u00e1rio dos cl\u00e1ssicos filmes, a pe\u00e7a revela ao p\u00fablico seu lado farsesco, assumindo sua por\u00e7\u00e3o encenada e, por isso, forjada da realidade. \u00c9 cinema representado teatral e conscientemente. Por isso, para o p\u00fablico desatento a esta quest\u00e3o, o desfecho do espet\u00e1culo talvez soe um tanto inveross\u00edmil. Desgarrada da L\u00f3gica narrativa que antes sustentava a credulidade da hist\u00f3ria, a pe\u00e7a ganha contornos surreais no exato momento em que se assume como representa\u00e7\u00e3o. Na verdade, o diretor parece indicar que a hist\u00f3ria \u00e9 t\u00e3o manipulada quanto seus pr\u00f3prios bonecos\/personagens.<\/p>\n<p>Talvez por isso a pe\u00e7a seja ainda mais interessante quando observada pela \u00f3tica da transposi\u00e7\u00e3o visual. Para recriar os espa\u00e7os que refor\u00e7am os charmosos estere\u00f3tipos formais do estilo noir, a dire\u00e7\u00e3o teve tarefas complexas como reproduzir no teatro o efeito dos enquadramentos e movimentos de c\u00e2meras observados no cinema. A ilumina\u00e7\u00e3o traduz o clima sombrio da trama, exigindo inclusive solu\u00e7\u00f5es inusitadas como a elimina\u00e7\u00e3o do filamento amarelo das l\u00e2mpadas para conferir a tonalidade branca em todas as cenas.<\/p>\n<p>Por tudo isso, o resultado \u00e9 pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>Chegando a funcionar em alguns momentos como exerc\u00edcio de forma, Filme Noir tem como grande m\u00e9rito o uso e abuso da criatividade visual em prol da aproxima\u00e7\u00e3o entre a arte cl\u00e1ssica e cultura pop contempor\u00e2nea. Seja na op\u00e7\u00e3o pelo trabalho com bonecos para adultos, seja no estilo cinematogr\u00e1fico escolhido para a recria\u00e7\u00e3o teatral, a pe\u00e7a ainda transita entre os cortes secos das hist\u00f3rias em quadrinhos e o cinismo inteligente das com\u00e9dias assumidas. As cenas em que Veronika De Vitta executa os versos de It\u2019s oh so quiet, na voz de Betty Hutton, s\u00e3o momentos em que esquecemos a artificialidade dos bonecos e acreditamos que aquela \u00e9 uma atriz e tanto.<\/p>\n<p><strong><\/div><div id=\"tab-69f4af45877a5-4\"><\/strong><\/p>\n<p><strong>Dire\u00e7\u00e3o e Roteiro:<\/strong> Miguel Vellinho<br \/>\n<strong>Elenco:<\/strong> Liliane Xavier, Marise Nogueira, M\u00e1rcio Nascimento, M\u00e1rcio Newlands e Mario Piragibe<br \/>\n<strong>Cen\u00e1rio e adere\u00e7os:<\/strong> Carlos Alberto Nunes<br \/>\n<strong>Figurinos de atores e bonecos:<\/strong> Kika de Medina<br \/>\n<strong>Ilumina\u00e7\u00e3o:<\/strong> Renato Machado<br \/>\n<strong>Trilha Sonora:<\/strong> Maur\u00edcio Dur\u00e3o<br \/>\n<strong>Locu\u00e7\u00e3o:<\/strong> Renato Peres, Mariane Gutierrez, M\u00e1rcio Nascimento e Maur\u00edcio Dur\u00e3o<br \/>\n<strong>Coreografia:<\/strong> Claudia Radusewski<br \/>\n<strong>Confec\u00e7\u00e3o dos bonecos:<\/strong> Maria Cristina Paiva, M\u00e1rcio Newlands e Miguel Vellinho<br \/>\n<strong>Esculturas dos bonecos:<\/strong> Fl\u00e1via Vitralli e Bernardo Macedo<br \/>\n<strong>Fotografias:<\/strong> Simone Rodrigues<br \/>\n<strong>Realiza\u00e7\u00e3o:<\/strong> Cia. PeQuod &#8211; Teatro de Anima\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><strong><\/div><div id=\"tab-69f4af45877a5-5\"><\/strong><\/p>\n<p><strong>P\u00fablico-alvo:<\/strong> Adulto<br \/>\n<strong>Classifica\u00e7\u00e3o:<\/strong> N\u00e3o recomendado para menores de 16 anos<br \/>\n<strong>Espa\u00e7o:<\/strong> Palco a italiana com boca de cena com largura m\u00e1xima de 10m e m\u00ednima de 6m (largura ideal de 8m); mesmas medidas para a largura do palco, profundidade m\u00ednima de 6m (ideal, 9m), altura de urdimento m\u00ednima de 4,5m (ideal, de 6m). Lin\u00f3leo preto para o piso da \u00e1rea de representa\u00e7\u00e3o e tr\u00eas pernas em cada um dos lados do palco. Rotunda ou fundo preto.<br \/>\n<strong>Dura\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo:<\/strong> Cerca de 1h 15min<br \/>\n<strong>Tempo de montagem:<\/strong> Cerca de 10h.<br \/>\n<strong>Tempo de desmontagem:<\/strong> Cerca de 3h.<\/p>\n<p><strong>Necessidades T\u00e9cnicas \u2013 Pessoal e Equipamento<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pessoal de apoio \u00e0 montagem:<\/strong> 02 eletricistas e 1 cenot\u00e9cnico<br \/>\n<strong>Equipamento de luz:<\/strong> mesa de 48 canais com 04 kws por canal, 05 locolights, 08 Beans, 08 Elipsoidais (04 de 50 graus + 01 com \u00edris + 03 com porta gobo), 04 PAR foco 1, 18 PAR foco 2, 06 PAR foco 5, 08 PCs (Plano Convexos), extens\u00f5es de diferentes tamanhos, m\u00e1quina de fuma\u00e7a.<br \/>\n<strong>Equipamento de som:<\/strong> mesa com 12 canais, amplificadores e caixas. A pot\u00eancia do equipamento deve estar adequada \u00e0s caracter\u00edsticas do local da apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Cen\u00e1rio e equipamento<\/strong><br \/>\n<strong>Peso:<\/strong> aproximadamente 480 kg<br \/>\n<strong>Volume:<\/strong> 01 case contendo ferragens (0,65m X 0,65m X 0,95m); 01 case contendo ferragens (0,85m X 0,45m X 1,40m); 01 case contendo objetos (0,75m X 0,70m X 0,80m); 01 case contendo material de ilumina\u00e7\u00e3o (0,75m X 0,75m X 1m); 01 case contendo ferragens (0,70m X 0,85m X 0,65m); 01 caixa de papel\u00e3o (0,15m X 0,60m X 1,20m); 01 caixa de papel\u00e3o (0,15m X 0,10m X 1,70m)<\/p>\n<p><strong>Equipe:<\/strong> 05 atores-manipuladores, 01 operador de luz, 01 operador de som.<\/p>\n<p><strong><\/div><\/div><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><a href=\"#tab-69f4af458ad1b-1\">Sinopse<\/a><a href=\"#tab-69f4af458ad1b-2\">Textos<\/a><a href=\"#tab-69f4af458ad1b-3\">Cr\u00edticas<\/a><a href=\"#tab-69f4af458ad1b-4\">Ficha t\u00e9cnica<\/a><a href=\"#tab-69f4af458ad1b-5\">Condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas<\/a><br \/>\nESTREIA:\u00a0AGOSTO DE 2004<br \/>\nLOCAL:\u00a0MEZANINO DO ESPA\u00c7O C, RIO DE JANEIRO<br \/>\nELENCO ORIGINAL:\u00a0LILIANE XAVIER, MARCOS NICOLAIEWSKY, MARISE NOGUEIRA, M\u00c1RCIO NASCIMENTO, M\u00c1RCIO NEWLANDS<br \/>\nPR\u00caMIOS E INDICA\u00c7\u00d5ES:\u00a0PR\u00caMIO SHELL DE TEATRO (CATEGORIA MELHOR ILUMINA\u00c7\u00c3O)<br \/>\nPREMIO SHELL DE TEATRO (CATEGORIA ESPECIAL)<br \/>\nFilme Noir adapta para o teatro de bonecos o estilo genuinamente cinematogr\u00e1fico que lhe d\u00e1 nome. Est\u00e3o l\u00e1 a mulher fatal, o detetive dur\u00e3o, a atmosfera de desilus\u00e3o, a voz em off do narrador, os flashbacks e tudo mais. Para reproduzir a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":162,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":199,"href":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52\/revisions\/199"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/media\/162"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}