Espetáculo vencedor do Prêmio Maria Clara Machado de 2003 na Categoria Especial, pela excelência da confecção dos bonecos. A montagem foi realizada para comemorar, em 2002, os 500 anos da obra de Gil Vicente, o primeiro dramaturgo da língua portuguesa.
Esta farsa, escrita em 1512, é protagonizada por um hortelão idoso que se apaixona por uma jovem freguesa. Embora ela não corresponda ao seu amor, o Velho acredita tê-la conquistado, enganado por uma trapaceira que se faz de intermediária do romance, apenas interessada em arrancar algum dinheiro do ingênuo hortelão.
Direção: Miguel Vellinho
Elenco: Mariane Gutierrez, Márcio Newlands, Liliane Xavier, Marcio
Nascimento
Cenografia: Carlos Alberto Nunes
Figurinos: Kika de Medina
Direção Musical: Maurício Durão
Iluminação: Renato Machado
Ass. Teórica: Rosita Silveirinha
Confecção dos Bonecos: Márcio Newlands, Bernardo Macedo e
Miguel Vellinho
Divulgação: Mariane Gutierrez
Programação Visual: Ato Gráfico | Hannah e Marcos Corrêa
Fotografias: Simone Rodrigues
Realização: Cia. Pequod de Teatro de Animação
Público-alvo: A partir dos 10 anos até adultos.
Espaço: Teatros tradicionais. A relação com a platéia deve ser sempre,
frontal.
Dimensões mínimas do palco:
6m de boca-de-cena, 6m de profundidade e 4,5m de altura.
Duração do espetáculo:
Ato único com cerca de 50 min.
Tempo de montagem: Cerca de 8h.
Tempo de desmontagem: Cerca de 2h.
Necessidades Técnicas :
São necessárias 02 torres de balé
Pessoal de apoio à montagem:
01 eletricista e 01 ajudante
Equipamento de luz:
mesa de 36 canais com 04 kws por canal, 10 Par Foco 5, 3 Elipsoidais 1000w
c/ Íris, 9 Peam Beans, 2 Locolights, 3 ou 11 Pcs 1000w, 14 ou 22 Par Foco
2, 2 Par Foco 1, fiações e extensões.
Equipamento de som:
amplificador, caixas, mesa com 12 canais e 02 aparelhos de CD que serão mixados
durante o espetáculo. A potência do equipamento deve estar adequada às características
do local da apresentação.
Transporte do cenário:
o cenário pode ser levado em um caminhão-baú pequeno, com cerca de 30 min
de tempo para carga e descarga.
Elenco:
04 atores-manipuladores, 01 operador de luz, 01 operador de som. 01 responsável
pelo cenário
Crítica do espetáculo O ESTADO DE SÃO PAULO / Caderno 2
26 de setembro de 2003
O prazer do amor maduro | Dib Carneiro Neto
Texto farsesco de Gil Vicente ganha montagem para crianças e alerta para
o descaso com os idosos.
Depois da bem-sucedida temporada no Rio, em que arrebatou prêmios como o da
RioArte/Maria Clara Machado, na categoria especial, concorrendo também com
cenário e iluminação, está em cartaz no Centro Cultural São Paulo o espetáculo
de bonecos O Velho da Horta, da Cia Pequod de Animação.
Vale a pena prestigiar com toda a família ainda que não seja propriamente
um espetáculo infantil. A presença dos bonecos - aliás, muito bem confeccionados
e manipulados - não é garantia de que a peça entretenha os pequenos por muito
tempo. Falta um certo ritmo e um pouco mais de graça (não só humor, mas leveza,
doçura) na concepção do grupo dirigido por Miguel Vellinho.
Dois fatores fazem o melhor de O Velho da Horta: o cenário e o tema. A enorme
horta em miniatura que se estende pelo palco é competentemente encantadora.
Sozinha, a cenografia do espetáculo é capaz de estimular a fantasia da platéia
- e não é o que se espera de todo cenário no teatro?
Quanto ao tema, trata-se do amor maduro, do amor na terceira idade, retirado
da farsa homônima escrita pelo português Gil Vicente em 1512. O velho do título
cai de paixão por uma das jovenzinhas consumidoras de suas frescas hortaliças,
porém ela não só o despreza, como o rouba e o engana. Ainda assim, ele a ama
cego e ingênuo, retirando desse amor todas as forças para prosseguir animado
na velhice.
Num tempo em que a velhice é cada vez mais encarada com preconceitos e a terceira
idade carece de condições mínimas de respeito e solidariedade, uma peça que
escancara o amor sem medidas e sem limites de idade é programa obrigatório,
social e didático. Para ajudar a criar um ser humano melhor.


