{"id":65,"date":"2015-02-07T18:39:56","date_gmt":"2015-02-07T18:39:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/?p=65"},"modified":"2015-02-10T03:14:38","modified_gmt":"2015-02-10T03:14:38","slug":"pe-quo-deux","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/pe-quo-deux\/","title":{"rendered":"Pe Quo Deux"},"content":{"rendered":"<p><strong><div class=\"jq-tabs tabs_wrapper tabs_\"><ul><li><a href=\"#tab-6a716f862b6e8-1\">Sinopse<\/a><\/li><li><a href=\"#tab-6a716f862b6e8-2\">Textos<\/a><\/li><li><a href=\"#tab-6a716f862b6e8-3\">Cr\u00edticas<\/a><\/li><li><a href=\"#tab-6a716f862b6e8-4\">Ficha t\u00e9cnica<\/a><\/li><\/ul><div id=\"tab-6a716f862b6e8-1\"><\/strong><\/p>\n<p><strong>ESTREIA:<\/strong>\u00a0JANEIRO\u00a0DE 2014<\/p>\n<p><strong>LOCAL:<\/strong>\u00a0OI FUTURO FLAMENGO<\/p>\n<p><strong>ELENCO ORIGINAL:<\/strong>\u00a0RAQUEL BOTAFOGO, LILIANE XAVIER, MARIANA FAUSTO, ANDR\u00c9 GRACINDO, MIGUEL ARA\u00daJO E M\u00c1RCIO NEWLANDS<\/p>\n<p>Peh Quo Deux re\u00fane cinco artistas importantes da dan\u00e7a contempor\u00e2nea em torno de uma mesma ideia. Partindo dos temas propostos pelo escritor italiano Italo Calvino em seu livro Seis Propostas para o Pr\u00f3ximo Mil\u00eanio, o diretor Miguel Vellinho convidou os core\u00f3grafos Bruno Cezario, Cristina Moura, Marcia Rubin, Paula Nestorov e Regina Miranda para criar pas de deux para bonecos. A cada um deles coube um dos temas abordados por Calvino: a multiplicidade ficou com Paula Nestorov, a visibilidade com Regina Miranda, Cristina Moura assumiu a exatid\u00e3o, Marcia Rubin a leveza e Bruno Cezario a rapidez.<\/p>\n<p><strong><\/div><div id=\"tab-6a716f862b6e8-2\"><\/strong><\/p>\n<blockquote><p>E qual vantagem teria tal boneco diante dos bailarinos vivos?<br \/>\nA vantagem? Antes de mais nada, uma negativa, meu caro amigo, ou seja, que ele nunca ser\u00e1 um bailarino afetado. &#8211; Pois a afeta\u00e7\u00e3o aparece, como o senhor sabe, quando a alma (vis motrix) encontra-se em qualquer outro ponto que n\u00e3o seja o centro de gravidade do movimento. E o operador simplesmente n\u00e3o tem em seu poder nenhum outro ponto, utilizando o arame ou o cord\u00e3o: assim todos os membros s\u00e3o, como deveriam ser, pesos mortos, meros p\u00eandulos, e seguem simplesmente a lei da gravidade; um dom valioso, que se procura em v\u00e3o na maior parte dos nossos bailarinos. (\u2026)<br \/>\nNeste sentido, falou, tais bonecos t\u00eam a vantagem de ser antigravitacionais. Sobre a in\u00e9rcia da mat\u00e9ria, de todas as propriedades a que mais se op\u00f5e \u00e0 dan\u00e7a, eles n\u00e3o sabem nada: porque a for\u00e7a que os suspende no ar \u00e9 maior do que aquela que os prende \u00e0 terra. O que n\u00e3o daria a nossa boa G&#8230; para ser sessenta libras mais leve, ou para que um peso desta grandeza viesse ajud\u00e1-la em seus entrechats e piruetas? Os bonecos precisam do solo apenas para toc\u00e1-lo, como os elfos, e para reavivar os impulsos dos membros por meio de uma interrup\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea; n\u00f3s precisamos dele para descansar, e para nos restabelecer dos cansa\u00e7os da dan\u00e7a: um momento que evidentemente n\u00e3o \u00e9, ele mesmo, de dan\u00e7a, e com o qual n\u00e3o se faz nada al\u00e9m de obrig\u00e1-lo a desaparecer o quanto for poss\u00edvel.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>KLEIST<\/strong>, Sobre o teatro de marionetes<br \/>\ntradu\u00e7\u00e3o Pedro S\u00fcssekind<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>BONAN\u00c7A<\/strong><br \/>\nConsidera\u00e7\u00f5es sobre o outro lado da margem<\/p>\n<p>Depois da tempestade, sempre h\u00e1 uma bonan\u00e7a, dizem. Com a PeQuod n\u00e3o foi diferente. Vinda de um processo extenuante de dois anos de trabalho para gerar A Tempestade, a companhia viu-se claramente em crise ao final do processo. Como \u00e9 do seu costume, a PeQuod tentou achar a\u00ed mesmo a chave para encerrar aquela fase e celebrar a possibilidade da pr\u00f3pria reden\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do teatro&#8230; Ou da Dan\u00e7a.<br \/>\nPor mais de uma d\u00e9cada, a PeQuod vem se dedicando ao entendimento da movimenta\u00e7\u00e3o humana, para recri\u00e1-la atrav\u00e9s dos seus bonecos. Nesse estudo, trabalhado nas min\u00facias, aprendemos muito e \u2013 pretensiosamente, posso dizer \u2013 chegamos num patamar de qualidade que poucas companhias dedicadas \u00e0 Anima\u00e7\u00e3o alcan\u00e7aram. No entanto, a certa altura, a investiga\u00e7\u00e3o da movimenta\u00e7\u00e3o cotidiana pareceu, repentinamente, sem grandes atrativos por ora, ainda que n\u00e3o tivesse sido esgotada. Nesse ponto, buscamos um trabalho que libertasse a companhia do compromisso da gestualidade do dia a dia e nos conduzisse a um estudo do movimento po\u00e9tico, o que nos levou \u00e0 Dan\u00e7a. Assim nasceu o projeto PEH QUO DEUX, um trocadilho com o nome da companhia e pas de deux.<br \/>\nGra\u00e7as a Bia Radunsky, pude chegar a Regina Miranda, Paula Nestorov, Marcia Rubin, Cristina Moura e Bruno Cezario, que prontamente atenderam ao chamado e se deixaram invadir pelas infinitas possibilidades que o Teatro de Anima\u00e7\u00e3o oferece. Uma das premissas da nossa proposta aos core\u00f3grafos convidados era que criassem coreografias que somente um boneco poderia dan\u00e7ar.<br \/>\nA Dan\u00e7a e o Teatro de Anima\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e3o distantes um do outro tanto quanto parece. Nunca estiveram. Lembro-me que um dos meus primeiros contatos com os bonecos se deu com o velho Sena, quando ele visitava minha escola com suas dan\u00e7arinas de can-can. Depois veio muito mais: os forr\u00f3s dan\u00e7ados pelo Chico Daniel, os vietnamitas e suas dan\u00e7as aqu\u00e1ticas e tanta coisa que me inspirou fortemente. H\u00e1 em nosso repert\u00f3rio uma cena emblem\u00e1tica \u2013 a apresenta\u00e7\u00e3o de Veronika de Vitta no espet\u00e1culo Filme Noir, que, de certa maneira, motivou este trabalho, dez anos depois.<br \/>\nLeio e releio o livro Seis Propostas para o Pr\u00f3ximo Mil\u00eanio, de \u00cdtalo Calvino, uma inspira\u00e7\u00e3o constante, desde o in\u00edcio dos anos 1990. Sempre desconfiei de que um dia ele me serviria para criar efetivamente um espet\u00e1culo. A cada um dos cinco core\u00f3grafos convidados de PEH QUO DEUX, enderecei uma das propostas do livro (que s\u00e3o cinco, apesar do t\u00edtulo): leveza, rapidez, multiplicidade, exatid\u00e3o e visibilidade. Todas ca\u00edram como uma luva ao artista que lhe coube, afinadas com a sua assinatura autoral, trajet\u00f3ria, perfil etc. Dali partimos para um trabalho de efetiva troca, experimenta\u00e7\u00e3o e risco. Durante seis meses de trabalho \u00e1rduo, revimos nossos processos, avan\u00e7amos nossos estudos, abandonamos algumas leis.<br \/>\nRegina, Paula, Marcia, Cristina e Bruno, obrigado por tudo!<\/p>\n<p><strong>Miguel Vellinho<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>(IN)VISIBILIDADE<\/strong><\/p>\n<p>Ao tomar como ponto de partida a Divina Com\u00e9dia, cujas \u201cvis\u00f5es se apresentam como proje\u00e7\u00f5es de cinema\u201d, Calvino afirma o poder da imagem como anterior \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de uma narrativa: \u0003\u201cEm torno de uma primeira imagem, outras passam a existir, formando um campo de analogias, simetrias e confronta\u00e7\u00f5es\u201d, diz ele. Ao mesmo tempo, adverte que a profus\u00e3o pode nos tornar cegos. Olhar. Que imagens assaltam nossos sentidos? N\u00e3o olhar. Que caminhos apontam? O que escondem? Desviar o olhar. Olhar. Olhar de novo.<\/p>\n<p><strong>Regina Miranda<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para mim teatro \u00e9 entre outras coisas sobre o Encontro. Neste projeto mais uma vez deu-se o encontro. Descobertas, desafios, contamina\u00e7\u00e3o, risco &#8211; ingredientes t\u00e3o potentes e a mim t\u00e3o caros. Essenciais ao se fazer teatro. Agrade\u00e7o a Miguel, Raquel, Andre, Lili, Marcio, Mariana, Miguel, Bruno, Lilian e a todos da Companhia Pequod. E que aqui e agora com o publico continue acontecendo a beleza do Encontro.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Cristina Moura<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Estamos bem no come\u00e7o, veja voc\u00ea.<br \/>\nComo antes de tudo. Com<br \/>\nmil e um sonhos atr\u00e1s de n\u00f3s e<br \/>\nsem nos mover.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o consigo pensar em um saber mais feliz<br \/>\nque este \u00fanico:<br \/>\n\u00e9 preciso se tornar um iniciante<br \/>\nUm que escreva a primeira palavra atr\u00e1s de um<br \/>\ntra\u00e7o<br \/>\nsecular.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cSobre a Melodia das Coisas&#8221; de Rainer Maria Rilke. Tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas: Maira Matthes<\/p>\n<p><strong>Paula Nestorov<\/strong><\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<blockquote><p>Calvino, citando um conto de Kafka, termina assim o cap\u00edtulo sobre a Leveza:<br \/>\nAssim, a cavalo em nossa cuba, iremos ao encontro do pr\u00f3ximo mil\u00eanio sem esperar encontrar nele nada al\u00e9m daquilo que seremos capazes de levar-lhe. A leveza, por exemplo, cujas virtudes esta confer\u00eancia procurou ilustrar.<br \/>\nN\u00f3s, agora, no mil\u00eanio projetado por ele, talvez estejamos utilizando pouco a leveza como virtude.<br \/>\nPara mim a leveza est\u00e1 no corpo. Lido com ela como um refinamento do peso. E me aproveito dela nos di\u00e1logos com a dan\u00e7a.<br \/>\nAqui o exerc\u00edcio foi criar este di\u00e1logo com bonecos e atores\/manipuladores, para construir uma cena que pudesse dar forma e express\u00e3o a esta virtude.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Marcia Rubin<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>APRESSA-TE LENTAMENTE<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e9culo XVIII. As notas musicais avan\u00e7avam em rotas sem combust\u00edvel&#8230; Longas cartas escritas \u00e0 m\u00e3o&#8230; Se podia esperar. N\u00e3o havia outra maneira.<br \/>\nHoje as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o guardadas em &#8220;nuvens invis\u00edveis&#8221;, o que parecia extraordin\u00e1rio antes \u00e9 revelado. A magia \u00e9 mera ilus\u00e3o.<br \/>\nUm avi\u00e3o, um navio&#8230; A previs\u00e3o de chuva ou calor&#8230; O mundo n\u00e3o \u00e9 mais um mist\u00e9rio. Tudo \u00e9 apenas fragmentado em partes que funcionam juntas, como uma m\u00e1quina. O corpo humano: Tudo o que lhe pertence, todo seu mecanismo vem sendo codificado e estendido, modificado. Mas protegidos de n\u00f3s pr\u00f3prios descobridores-humanos tamb\u00e9m est\u00e3o v\u00e1rios tesouros, curas e horrores.<br \/>\nRapidamente voava diante dos meus olhos aquela folha solta min\u00fascula&#8230; Assim as verdades se criam, por percep\u00e7\u00f5es e provas. &#8220;\u00c9 preciso ter certeza!&#8221;.<br \/>\nNo mais profundo mar est\u00e1 a irm\u00e3 do mesmo gr\u00e3o de areia que tenho em meus p\u00e9s hoje, em casa. O sal se foi na ducha, que se perdeu num escuro compartimento, e que logo o sol tomou para si e fez a chuva forte de um ver\u00e3o longo criando um lago, bem ali. Os peixes dessa \u00e1gua s\u00e3o diferentes da \u00e1gua salgada, que s\u00e3o diferentes dos peixes com asas que voam entre essa chuva e a nuvem&#8230; Pra tudo isso parece haver tamb\u00e9m uma explica\u00e7\u00e3o. Mas o momento exato do in\u00edcio de todos esses pontos \u00e9 ainda dif\u00edcil de se saber&#8230; ( talvez ) Como incerta tamb\u00e9m se apresenta a hora do fim.<br \/>\nO c\u00e9u encapado de nuvem densa despenca. Alguns se recolhem e outros n\u00e3o, se deixam molhar&#8230; Derretendo-se v\u00e3o-se horas, peles; e a alma ainda se pergunta pra onde&#8230; &#8220;Inutilmente&#8230;&#8221;<br \/>\nTra\u00e7amos caminhos para ter algum sentido. Marcamos encontros para ter a quem ver.<br \/>\nSe o corpo reage ao calor, ao frio, \u00e0 dor, quando o mesmo p\u00e1ra, quem garante que essa massa continua a ter uma fun\u00e7\u00e3o maior que a de regar, adubar a pr\u00f3pria terra ou se perder em cinzas num ar sem barreiras e cheio de gr\u00e3os de areia, de \u00e1tomos, de el\u00e9trons, de vazio?..<br \/>\nLentamente ele se apressa. Ele, o ouro de mim \u00e0 quem eu me apego, lentamente dan\u00e7ando, para um momento decidido \u00e0 findar, para sair da caixa que conserva as id\u00e9ias, \u00e0 ficar por onde quer que seja. Pois se j\u00e1 n\u00e3o existir\u00e1 o que pensa, que organiza, n\u00e3o h\u00e1 mais nada com o que se preocupar comigo. Esse Eu que n\u00e3o me pertence mais existir\u00e1 apenas na sua caixa, at\u00e9 quando ela funcionar mesmo que por acaso, recebendo est\u00edmulo, criando mais id\u00e9ias sobre mim, sobre ele, e ainda mais sobre o infinito universo que s\u00f3 \u00e9 infinito porque a id\u00e9ia dele fortaleceu a minha, que fortalecer\u00e1 a dela, e assim incessantemente at\u00e9 a pr\u00f3xima avalanche de pedras c\u00f3smicas destruidoras fazer tudo recome\u00e7ar de um novo zero&#8230; &#8220;Que zero? Que evolu\u00e7\u00e3o? Que palavras s\u00e3o essas??&#8221;<br \/>\nVerdades s\u00e3o congeladores individuais. O tempo \u00e9 singular. O encontro \u00e9 \u00fanico.<br \/>\nO lago se forma at\u00e9 o calor estender sobre ele o seu len\u00e7ol.<br \/>\nChove. Nada-se. Peixes e p\u00e1ssaros! Universo misterioso de indaga\u00e7\u00f5es frias e luzes escaldantes&#8230;<br \/>\nDe repente fiquei sem pressa.<br \/>\n&#8220;Cansou.&#8221; Disse.<br \/>\nApressar-se para onde? Para o qu\u00ea?<br \/>\n&#8220;Ter pressa \u00e9 bobagem.&#8221;<br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p><strong>Bruno Cezario<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/div><div id=\"tab-6a716f862b6e8-3\"><\/strong><\/p>\n<p><strong>CIA PEQUOD ACERTA COM NOVOS OLHARES<\/strong><br \/>\nDan\u00e7a<br \/>\nPeh quo deux<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: \u00d3timo<\/p>\n<p>Adriana Pavlova<br \/>\nSegundo Caderno \u2013 O Globo<br \/>\n17\/01\/2014<\/p>\n<p>Uma \u00f3tima surpresa abre a temporada de dan\u00e7a de 2014. Em cartaz no Oi Futuro Flamengo, \u201cPeh quo deux\u201d \u00e9 a reveladora incurs\u00e3o da Cia PeQuod \u2013 Teatro de Anima\u00e7\u00e3o no mundo da dan\u00e7a. A companhia, consagrada por sua pesquisa da movimenta\u00e7\u00e3o humana atrav\u00e9s do uso de bonecos, conseguiu refinar ainda mais seu trabalho, a partir do olhar de cinco core\u00f3grafos.<br \/>\nPara criar seus quadros , os artistas partiram do livro \u201cSeis propostas para o pr\u00f3ximo mil\u00eanio\u201d de \u00cdtalo Calvino, que, na verdade, s\u00e3o cinco, apesar do t\u00edtulo: leveza, rapidez, multiplicidade, exatid\u00e3o e visibilidade. No palco essas ideias se misturam sem que isso se transforme num problema. Ao contr\u00e1rio.<br \/>\nA cena de uma faxineira com seu balde de limpeza e seu duplo em movimentos sutis para limpar o ch\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3logo concebido por Paula Nestorov, que ao longo do espet\u00e1culo volta ao palco, no meio e no fim, pontuando \u201cPeh quo deux\u201d. Trata-se da mesma manipula\u00e7\u00e3o de bonecos que fez a fama da companhia, s\u00f3 que com mais sofistica\u00e7\u00e3o de movimentos e muita delicadeza. Ponto para a PeQuod, que soube se valer da sabedoria coreogr\u00e1fica de Nestorov, artista, infelizmente, hoje t\u00e3o ausente dos palcos da cidade.<br \/>\nRegina Miranda chega para desestabilizar, com sua \u201cVisibilidade\u201d criada a partir da est\u00e9tica de videogame. \u00c9 puro teatro p\u00f3s-dram\u00e1tico, no qual todos os elementos da cena brigam para chamar a aten\u00e7\u00e3o do espectador. E nesse caso os elementos incluem proje\u00e7\u00f5es de v\u00eddeo num tel\u00e3o, com reprodu\u00e7\u00f5es de jogos eletr\u00f4nicos, imagens realistas de gente sequelada por guerras, som muito alto e bonecos colados ao corpo dos manipuladores. O resultado fica acima do tom, mas, numa outra leitura, acaba tamb\u00e9m mostrando como os int\u00e9rpretes da PeQuod s\u00e3o capazes de dar conta de diferentes linguagens e propostas.<br \/>\nO clima muda totalmente com \u201cExatid\u00e3o\u201d de Cristina Moura, abrindo uma sequencia de delicados pas-de-deux at\u00e9 o fim do espet\u00e1culo. Neste, a figura bizarra de um boneco gordinho faz lembrar os personagens errantes de \u201cMay B\u201d, espet\u00e1culo seminal da core\u00f3grafa francesa Maguy Marin inspirado em Samuel Beckett. O personagem curioso tem um encontro com um boneco-crian\u00e7a. Lindo de ver.<br \/>\n\u201cLeveza\u201d, de Marcia Rubin, \u00e9 o mais narrativo dos quadros, e isso n\u00e3o \u00e9 nem um pouco problem\u00e1tico. Dois homens t\u00eam um encontro regado a \u00e1lcool num restaurante onde h\u00e1 uma jukebox. A trilha sonora gostosa d\u00e1 o tom da movimenta\u00e7\u00e3o cheia de nuances, com humor e compaix\u00e3o.<br \/>\nEnfim, \u00e9 a vez de Bruno Cezario, que, por seu passado ligado ao bal\u00e9 cl\u00e1ssico, exibe em \u201cRapidez\u201d um duo de bonecos em que \u00e9 poss\u00edvel imagin\u00e1-los dan\u00e7ando com sapatilhas nas pontas. \u00c9 aqui que os seis int\u00e9rpretes (Raquel Botafogo, Liliane Xavier, Mariana Fausto, Andr\u00e9 Gracindo, Miguel Ara\u00fajo e M\u00e1rcio Newlands), que j\u00e1 deram uma aula de seguran\u00e7a em seu of\u00edcio, ganham ainda mais a cena, com uma movimenta\u00e7\u00e3o complementar \u00e0 dos bonecos. Boa ousadia.<br \/>\nO desafio de trazer novos olhares e, sobretudo, novos movimentos para a PeQuod deu certo. O grupo comandado pelo diretor Miguel Vellinho prova, com \u201cPeh quo deux\u201d, que hibrida\u00e7\u00f5es podem ser bem-vindas. \u00c9 a arte do novo mil\u00eanio borrando as fronteiras e criando novas percep\u00e7\u00f5es para o p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong><\/div><div id=\"tab-6a716f862b6e8-4\"><\/strong><\/p>\n<p>PEH QUO DEUX com coreografias de REGINA MIRANDA, CRISTINA MOURA, PAULA NESTOROV, MARCIA RUBIN E BRUNO CEZARIO<\/p>\n<p><strong>Elenco:<\/strong> RAQUEL BOTAFOGO, LILIANE XAVIER, MARIANA FAUSTO, ANDR\u00c9 GRACINDO, MIGUEL ARA\u00daJO E M\u00c1RCIO NEWLANDS<\/p>\n<p><strong>Dire\u00e7\u00e3o geral:<\/strong> MIGUEL VELLINHO<\/p>\n<p><strong>Cenografia:<\/strong> D\u00d3RIS ROLLEMBERG<\/p>\n<p><strong>Figurino do elenco:<\/strong> DANIELE GEAMMAL E LUNA SANTOS<\/p>\n<p><strong>Figurino dos bonecos:<\/strong> KIKA DE MEDINA<\/p>\n<p><strong>Ilumina\u00e7\u00e3o:<\/strong> RENATO MACHADO<\/p>\n<p><strong>Escultura e concept art dos bonecos:<\/strong> BRUNO DANTE<\/p>\n<p><strong>Confec\u00e7\u00e3o dos bonecos:<\/strong> MARGARETH MOURA, REGINA M. KATAYAMA BRAGA, BRUNO DANTE E MIGUEL VELLINHO<br \/>\nassist\u00eancia de confec\u00e7\u00e3o PATR\u00cdCIA DELVAUX, CAMILO PACHECO E VITOR MATOS<\/p>\n<p><strong>Assessoria de imprensa:<\/strong> ROBERTA RANGEL<\/p>\n<p><strong>Design gr\u00e1fico:<\/strong> ROBERTA DE FREITAS<\/p>\n<p><strong>Fotografia:<\/strong> SIMONE RODRIGUES<\/p>\n<p><strong>Cenot\u00e9cnico:<\/strong> DER\u00d4 MARTINS, CUST\u00d3DIO VIEIRA, JADAA FARIA, RAPHAELL LOUREN\u00c7O, PEDRO WARD E JAIR PEREIRA<\/p>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00e3o de som:<\/strong> TELMA LEMOS<\/p>\n<p><strong>Opera\u00e7\u00e3o de luz:<\/strong> RODRIGO MACIEL<\/p>\n<p><strong>Montagem de luz:<\/strong> RODRIGO MACIEL BASTOS, NECK VILANOVA\u0003 E LUIZ PAULO DE MEDEIROS<\/p>\n<p><strong>Contrarregra:<\/strong> RENATO SILVA<\/p>\n<p><strong>Costureiros:<\/strong> F\u00c1TIMA ARA\u00daJO E CAIO BRAGA<\/p>\n<p><strong>Administra\u00e7\u00e3o do projeto:<\/strong> LILIANE XAVIER<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o executiva:<\/strong> ANDR\u00c9 ROMAN<\/p>\n<p><strong>Dire\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o:<\/strong> LILIAN BERTIN<\/p>\n<p>Um espet\u00e1culo da CIA PEQUOD \u2013 TEATRO DE ANIMA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p><strong><\/div><\/div><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><a href=\"#tab-6a716f8632c2f-1\">Sinopse<\/a><a href=\"#tab-6a716f8632c2f-2\">Textos<\/a><a href=\"#tab-6a716f8632c2f-3\">Cr\u00edticas<\/a><a href=\"#tab-6a716f8632c2f-4\">Ficha t\u00e9cnica<\/a><br \/>\nESTREIA:\u00a0JANEIRO\u00a0DE 2014<br \/>\nLOCAL:\u00a0OI FUTURO FLAMENGO<br \/>\nELENCO ORIGINAL:\u00a0RAQUEL BOTAFOGO, LILIANE XAVIER, MARIANA FAUSTO, ANDR\u00c9 GRACINDO, MIGUEL ARA\u00daJO E M\u00c1RCIO NEWLANDS<br \/>\nPeh Quo Deux re\u00fane cinco artistas importantes da dan\u00e7a contempor\u00e2nea em torno de uma mesma ideia. Partindo dos temas propostos pelo escritor italiano Italo Calvino em seu livro Seis Propostas para o Pr\u00f3ximo Mil\u00eanio, o diretor Miguel Vellinho convidou os core\u00f3grafos Bruno Cezario, Cristina Moura, Marcia Rubin, Paula Nestorov e Regina Miranda para criar pas de deux para bonecos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":194,"href":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65\/revisions\/194"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/media\/152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pequod.com.br\/2015\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}