HISTÓRICO

Pequod é o nome da embarcação que sai em busca da baleia Moby Dick, no romance de mesmo nome. Herman Melville, seu autor, fez uma homenagem ao nome de uma tribo de índios da América do Norte que foi exterminada com a colonização européia.

Em 2012, completando doze anos de existência, a PeQuod é uma das mais destacadas companhias de teatro de animação do país, com um repertório sólido e reconhecido em todo o Brasil. Nascida de uma oficina realizada em 1999, que originou o espetáculo Sangue Bom. Entre seus participantes, reunidos por Miguel Vellinho, cresceu a vontade de continuar juntos. O grupo acabou ganhando cara própria e montando um repertório que conquistaria reconhecimento nacional e internacional. Desde sua primeira montagem, a PeQuod procura trabalhar dentro de uma metodologia que propicie um aglutinamento visual e estético muito peculiar de linguagens variadas como o Cinema, o desenho animado e a dança, sendo esta uma das principais características do trabalho da desta companhia.

Seu trabalho mais recente o projeto Marina, estreado em 2010 que se dividiu em duas versões; uma adulta e outra infantil. A montagem é uma adaptação do conto de Hans Christian Andersen, A Sereiazinha que ainda se cruza com as canções praieiras de Dorival Caymmi. A utilização de bonecos aquáticos e quatro grandes aquários impressionaram público e crítica. A versão adulta foi vencedora das categoria Especial e Melhor Iluminação no Prêmio APTR de Teatro e ainda foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro 2011 na Categoria Especial. A versão infantil ganhou em cinco categorias do Prêmio Zilka Salaberry de Teatro Infantil: Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Cenografia, Melhor Iluminação e Prêmio Especial, além de ter sido indicada na categoria de Melhor Direção Musical.

Ainda em 2010 a PeQuod lançou-se como organizadora de uma mostra dedicada ao Teatro de Animação. A MITA – Mostra Internacional de Teatro de Animação trouxe para o Rio espetáculos da Argentina, Holanda, Portugal além de montagens de outros estados do Brasil. Em março de 2012 aconteceu a segunda edição da MITA com a vinda de espetáculos espanhóis, holandeses e de outros estados do Brasil com igual sucesso.

A Chegada de Lampião no Inferno, montagem de 2009 teve uma estreia com críticas elogiosas, sessões lotadas e duas novas indicações ao Prêmio Shell de Teatro de 2009: Melhor Cenografia e Melhor Iluminação. O espetáculo prossegue com o tipo de integração entre bonecos, atores e objetos iniciado na montagem anterior – Peer Gynt – e explora a maldade inerente ao ser humano, tendo como apoios principais a mitologia que envolve a figura do Capitão Virgulino Ferreira, vulgo Lampião e a impressionante descrição do vício humano feita por Dante Alighieri em sua Divina Comédia. Em 2011, os cenários, adereços e figurinos de A Chegada de Lampião no Inferno integraram a representação brasileira na Quadrienal de Cenografia de Praga.

No ano de 2006 a PeQuod lançou-se em uma empreitada de grande ousadia. A montagem de Peer Gynt, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen demandou grande esforço, não apenas pelo desafio de montar a grandiosa fábula poética acerca do homem que fracassa ao tentar saber quem é. O espetáculo foi um verdadeiro marco na trajetória da companhia que combinou bonecos e atores num cenário de alta sugestão poética e revelação total das engrenagens que impulsionam a ilusão da cena. Esses esforços acabaram sendo recompensados com duas indicações ao Prêmio Shell (Melhor Direção e Melhor Cenografia), além de ter sido considerado pela crítica de Teatro do jornal O Globo, Bárbara |Heliodora, como uma das dez melhores peças teatrais de 2006.

Em 2004 a PeQuod estreou Filme Noir, uma inusitada experiência que reuniu a linguagem do teatro de animação e o gênero cinematográfico norte-americano dos filmes escuros de contos policialescos. A montagem teve excelente repercussão de público e crítica. Filme Noir foi o vencedor do Prêmio Shell de Teatro em 2005 na categoria Melhor Iluminação, pelo trabalho de Renato Machado, além de ter sido indicado para a Categoria Especial, “pela qualidade de confecção e manipulação dos bonecos”.

Em 2002, em virtude da comemoração pelos 500 anos da obra de Gil Vicente, a PeQuod resgatou a pequena farsa O Velho da Horta e a transformou num espetáculo infantil, vencedor do Prêmio Maria Clara Machado de 2003, na Categoria Especial (pela confecção dos bonecos), além de ter sido indicado nas categorias Melhor Iluminação e Melhor Cenografia.

A segunda montagem da PeQuod teve como mote a junção do teatro musical com a linguagem dos bonecos: Noite feliz – Um Auto de Natal tornou-se a grande surpresa da programação de final de ano carioca de 2001. Chamava atenção na montagem o apuro da manipulação realizado pelos cantores que davam vozes aos bonecos e músicos ao vivo executando canções originais para a montagem.

Em Sangue Bom, o espetáculo a partir do qual a PeQuod foi criada, apresentou-se uma alternativa de teatro de bonecos para adultos, que buscava na literatura gótica e nos contos de vampiros a sua fonte inspiradora. O espetáculo estreou em 1999, após quase um ano de ensaios, e cumpriu uma carreira regular no Rio de Janeiro recebendo elogios de crítica e público.