Sinopse
2 de março de 2015
Críticas
2 de março de 2015

Textos

Sangue bom

Textos

SANGUE BOM é o resultado de um estudo das possibilidades da animação de bonecos, através da manipulação direta, sem fios ou varas. Buscando transpor a linguagem do Cinema e do Desenho Animado para a encenação, a montagem procurou reproduzir feitos típicos destas duas linguagens: closes, panorâmicas, travellings da primeira; e claros-escuros, nonsense e gags recorrentes da segunda, por exemplo. Tudo isto para contar uma história de uma hora, sem palavras.

Os vampiros surgiram, no trabalho, numa etapa posterior, como um simples tema para variações. A idéia caiu como uma luva e parece, agora, que não haveria nada melhor do que este tipo tão rico em possibilidades cênicas, misterioso, que pode voar e transmutar-se, para contar uma singela história de um amor impossível. Junto ao personagem central surgiram os outros dois personagens que formam o clássico triângulo amoroso de SANGUE BOM: uma mulher abandonada e um caçador de vampiros. Para cada personagem – e cada boneco – estabelecemos uma cartilha gestual, com movimentações próprias, marcadas e elaboradas como uma coreografia.

SANGUE BOM veio sendo preparado, em um ano inteiro de ensaios, como se fosse filme. Depois de todas as cenas prontas, partimos para a edição, a sonorização e o corte final, chegando a eliminar quadros que, somados, triplicariam o tempo do espetáculo. A vantagem do teatro sobre o Cinema, porém, é que, chegados à forma final do espetáculo, ainda podemos continuar a modificá-lo e corrigi-lo eternamente.
Como convém a um vampiro.

Miguel Vellinho, texto do programa da peça