ESTREIA: AGOSTO DE 2010

LOCAL: TEATRO III DO CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL, RIO DE JANEIRO

ELENCO ORIGINAL: LILIANE XAVIER, MARIANA FAUSTO, MONA VILARDO, LEANDRO MUNIZ, MÁRCIO NASCIMENTO E MIGUEL ARAÚJO

PRÊMIOS E INDICAÇÕES: PRÊMIO ZILKA SALABERRY DE TEATRO INFANTIL (MELHOR ESPETÁCULO, MELHOR DIREÇÃO, MELHOR CENOGRAFIA, MELHOR ILUMINAÇÃO E PRÊMIO ESPECIAL)

Esta montagem nasce do cruzamento do conto A Sereiazinha, de Hans Christian Andersen com as canções praieiras de Dorival Caymmi. Assim, a PeQuod foi até o fundo do mar para trazer para os palcos toda a riqueza e beleza do ambiente submarítimo. Para isso, quatro grandes aquários servem de cenário para bonecos que contracenam debaixo da água proporcionando uma dinâmica e uma poética irreproduzível em outro ambiente. A inspiração veio da tradicional manifestação teatral das marionetes aquáticas do Vietnã. No entanto. Sob o olhar contemporâneo da PeQuod, a tradição se funde à mais alta tecnologia para dar conta da bela história de Andersen. A versão para crianças, Marina, a sereiazinha, utiliza os mesmos cenários e bonecos, numa montagem mais resumida e com abordagem mais próxima ao universo dos contos de fadas, mantendo a proposta de reflexão sobre as escolhas.

Quem nunca ouviu falar da jovem sereia que se apaixona por um príncipe humano? O primeiro a contar essa história foi Hans Christian Andersen, em 1837. De lá para cá, o conto já foi contado e recontado pelos nossos pais, avós, bisavós e tataravós. Quem não ouviu essa história na cama, na hora de dormir, ouviu na escola. Ou viu no cinema, no teatro, na televisão, nos gibis, nos livros… E sabe por que a gente nunca cansa de ouvir a mesma história? Porque ela nunca é contada do mesmo jeito.

Desta vez, a sereiazinha se chama Marina. E ela está mesmo dentro d’água – água de verdade! Mas é no teatro. E os personagens são metade gente, metade boneco. É teatro de animação. E é teatro musical também, porque as músicas de Dorival Caymmi ajudam a contar a história.

“Marina, a Sereiazinha” é o jeito da Cia. PeQuod de contar esse velho conto. Esperamos que vocês gostem.

Miguel Vellinho, texto do programa do espetáculo
Hans Christian Andersen

Hans Christian Andersen escreveu peças de teatro, romances, poemas e relatos de viagem. Além de escritor, ele foi também ator e bailarino. Mas o que ele fez de mais importante em seus 70 anos de vida foram os contos infantis. Na época em que ele viveu – o século 19 –, era muito raro alguém escrever para crianças. No entanto, Andersen publicou mais de 150 histórias feitas especialmente para elas. Seu sucesso dura até hoje.

Foi Andersen quem escreveu O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo, A Roupa Nova do Imperador, Os Sapatinhos Vermelhos, O Homem de Neve, A Princesa e a Ervilha, A Pequena Vendedora de Fósforos, A Sereiazinha e tantos outros contos de fada que até nossos tataravós conheciam. Essas histórias inspiraram incontáveis filmes, desenhos animados, balés, músicas, histórias em quadrinhos, jogos e peças de teatro – como Marina, a Sereiazinha, que a Cia. PeQuod preparou para você.

Pelo tanto que fez, Hans Christian Andersen virou nome de vários prêmios, incluindo o mais importante da literatura feita para crianças. A data do seu aniversário – 2 de abril – foi escolhida para ser o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil. E há estátuas em homenagem a Andersen no mundo todo, sendo que a mais conhecida delas é uma escultura da Sereiazinha que é um dos símbolos da cidade de Copenhague, onde Andersen viveu.

Nada mau para um menino muito pobre que nasceu na Dinamarca em 1805.

Miguel Vellinho, texto do programa do espetáculo

Dorival Caymmi

Tem música que está na boca do povo há tanto tempo, que é como se elas sempre tivessem existido. O baiano Dorival Caymmi fez muitas assim. “Quem não gosta de samba bom sujeito não é / É ruim da cabeça ou doente do pé” – quem nunca ouviu estes versos? Pois são dele!

Dorival Caymmi nasceu em Salvador, no ano de 1914, e passou a vida compondo músicas sobre o amor, sobre as coisas da Bahia e sobre o mar. Suas canções estão entre as mais belas e importantes da música popular brasileira. Isso porque Caymmi tinha um jeito só dele de cantar, compor e tocar violão. São músicas que quase fazem a gente ver, ouvir e sentir as ondas, o vento, as areias, os temporais e outras belezas que ele cantou.

É por tudo isso que as canções de Dorival Caymmi estão nesta peça da Cia. PeQuod, “Marina, a Sereiazinha”. Elas não foram feitas para o espetáculo, mas ajudam a contar essa história de amor e de dor que acontece dentro do mar e fora dele.

Miguel Vellinho, texto do programa do espetáculo

Crítica do espetáculo Marina, A Sereiazinha

CEPETIN – Centro de Pesquisa e Estudo do Teatro Infantojuvenil
http://www.cepetin.com.br/critica.asp
22 de agosto de 2010.

Marina a Sereiazinha
A brasilidade de Caymmi em perfeita harmonia com Andersen
por Gláucia Santos
Crítica especializada exclusiva do CEPETIN
Especialista em teatro infantil e juvenil.

O conto da Pequena Sereia de Hans Christian Andersen recebeu e ainda recebe diversas adaptações na dramaturgia, em livros e filmes. A mais famosa é a história dos estúdios Disney, que conta a aventura da pequena Ariel de forma leve e com um final feliz, adaptação bem distante do original de Andersen. O conto original difere bastante dessas adaptações, porque na verdade, é uma história forte, densa e que não possui um final feliz. O que não lhe confere descrédito, pelo contrário é um excelente conto que vale a pena lermos e relermos.

As músicas de Dorival Caymmi são famosas por falar do mar, do amor e das belezas da Bahia. Faz-nos sentirmos como se o próprio mar estivesse perto de nós, é possível sentir a brisa, o cheiro e o barulho das ondas no momento em que as ouvimos. Marina, a Sereiazinha é a mistura harmoniosa da brasilidade das músicas de Caymmi com o conto do dinamarquês Hans Christian Andersen, espetáculo criado pela Cia PeQuod – Teatro de Animação. Em Marina, a Sereiazinha, da Cia PeQuod, em cartaz no CCBB do Rio, quem espera ao ir assistir, encontrar uma dessas adaptações com final um feliz e clima praieiro despertados pelas músicas de Caymmi, engana-se de espetáculo. Marina é uma brilhante adaptação do conto de Andersen que não abandonou a essência do original. Todos os ingredientes presentes em a Pequena Sereia estão em Marina, com uma excelente ajuda, as músicas de Caymmi parecem terem sido feitas para o conto. A Cia conseguiu fazer uma brilhante adaptação das músicas de Caymmi para o clima tenso que o conto pede, se utilizando delas para ajudar a contar a paixão de Marina por um pescador. Cais do porto, beira do mar ou em algum lugar em terra firme. Assim é o cenário, versátil, com quatro aquários onde acontece toda a história de Marina. O elenco bastante afinado no canto, ágil e integrado na manipulação dos bonecos, consegue criar um realismo tamanho que os bonecos parecem ter vida própria, seus movimentos tanto fora e dentro dos aquários são perfeitos, mesmo em alguns momentos onde há trocas muito rápidas de cenário e de bonecos. A luz cria momentos de poesia e de belas fotografias.

Elenco: Liliane Xavier, Mariana Fausto, Mona Vilardo,
Leandro Muniz, Márcio Nascimento e Miguel Araújo
Direção e dramaturgia: Miguel Vellinho
Assessoria Teórica: Karl Erik Schollhammer
Cenografia: Carlos Alberto Nunes
Iluminação: Renato Machado
Figurinos: Daniele Geammal
Direção Musical: Fabiano Krieger
Preparação vocal: Doriana Mendes
Fotografia: Simone Rodrigues
Design gráfico: Roberta de Freitas
Produção musical: Eduardo Manso,
Estevão Casé e Fabiano Krieger
Projeto de sonorização: Andréa Zeni
Contrarregra: Marcos Nicolaiewsky
Assistente de figurino: Renata Cortes
Costureira: Fátima Araújo
Escultura dos bonecos: Bruno Dantas
Confecção dos bonecos: Carlos Alberto Nunes, Dolores Marques,
Gabriela Christ, Marcos Nicolaiewsky, Michel Sousa,
Miguel Vellinho, Mônica Souza e Fernanda Thurner
Estagiários PeQuod: Giulia Caminha, Alberto Naar,
Marcos Nicolaiewsky, Miguel Araújo, e Mônica Souza
Realização: Cia PeQuod -Teatro de Animação

Público-alvo: A partir dos 6 anos de idade.
Espaço: Teatros tradicionais. A relação com a platéia deve ser sempre, frontal.
Dimensões mínimas do palco: 8m de boca-de-cena, 11m de profundidade e 4,5m de altura.
Duração do espetáculo: Ato único com cerca de 50 min.
Tempo de montagem: Cerca de 14h.
Tempo de desmontagem: Cerca de 10h. (4 horas para esvaziar os aquários sem poder desmontar a base da cenografia e nem a iluminação sobre o cenário)

Necessidades Técnicas – Pessoal e Equipamento

Pessoal de apoio à montagem: 02 montadores de luz e 02 cenotécnicos; 4 carregadores (os carregadores deverão estar capacitados a lidar com materiais delicados como aquários (cada um pesa 200 kg sem água))
Equipamento de luz: 7 Elipsoidais ARE; 6 Elipsoidais ETC 36o.;4 Elipsoidais ETC 50o.; 12 Fres-néis 1000w; 8 Fres-néis 650w ADB; 11 Locolights; 8 Pin Beams; 14 PCs 1000w; 32 Par #5; 10 Par #5 (220v); 20 Par #2 (10 220v); 2 Par #1 e sistema com 72 canais.
Equipamento de som: amplificador, caixas, mesa com 24 canais e 02 aparelhos de CD que serão mixados durante o espetáculo. A potência do equipamento deve estar adequada às características do local da apresentação. O espetáculo utiliza 7 microfones sem fio que pertencem e acompanham a PeQuod.
Transporte do cenário: o cenário pode ser levado em um caminhão-baú de 7m, com cerca de 3h de tempo para carga e 2 h para descarga. O tempo de carga e descarga pode variar em função da quantidade de carregadores.
Elenco: 06 atores-manipuladores, 01 operador de luz, 01 operador de som, 01 cenotécnico responsável pela montagem do cenário; 01 contrarregra/microfonista.

Observação importante: O espaço de apresentação precisa ser adequado ao peso geral do cenário que é de aproximadamente de quatro toneladas, sendo que na parte onde se localizam os aquários o piso deverá suportar no mínimo 300kg por metro quadrado. Assim solicita-se à produção local um laudo técnico de um engenheiro calculista com emissão de ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) para aprovar a montagem do cenário. Será necessário também fácil acesso ao sistema hidráulico local para encher e esvaziar os aquários.